Em meados de março, o Brasil foi apresentado à uma nova realidade com o isolamento social. Para que as famílias tivessem um certo conforto e os comércios se mantivessem funcionando, o delivery surgiu como uma solução. Diante da alta demanda, o setor de moto delivery atingiu números impressionantes, com crescimento de 94% durante a pandemia.

Quem faz o levantamento é a start up de finanças Mobills, que elaborou uma pesquisa com mais de 160 mil usuários. Segundo a pesquisa, entre janeiro e maio deste ano, os aplicativos de entrega como Rappi, Ifood e Uber Eats apresentaram um aumento tanto na demanda quanto no valor do tíquete médio. 

O contexto geral justifica o aumento no serviço de delivery: com mais pessoas em casa diariamente, sem a possibilidade de visitar restaurantes ou mesmo fazer compras, a moto entrega se mostrou um formato de conexão entre fornecedor e cliente prático e acessível.

Dessa forma, ao abrir um aplicativo e fazer um pedido, o cardápio de uma refeição é providenciado com facilidade e segurança.

Enquanto o consumidor tem a praticidade na entrega, várias empresas ganharam uma vida extra ao entenderem que o delivery é a chave do sucesso nesse período de mudança de comportamento.

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O setor de moto delivery em números

O delivery de alimentos não foi o único que apresentou crescimento nos meses em que as restrições causadas pela pandemia do novo coronavírus estavam em vigor. Outros tipos de empresas também foram beneficiadas pela estrutura de moto entrega presente na maioria das cidades brasileiras.

Um bom exemplo são as farmácias. Muitas delas já contavam com o serviço de delivery para os consumidores, mas com a pandemia, o número de entregas aumentou cerca de 72%, segundo dados da Associação Brasileira das Redes de Farmácias (Abrafarma).

As entregas de compras de supermercado também passaram por um aumento significativo. Não é à toa que o aplicativo Rappi foi o que teve melhor desempenho nos últimos meses, uma vez que realiza delivery não só de alimentos, mas também de itens de mercado, farmácia e compras em geral.

A Rappi foi a companhia que teve o maior índice de crescimento no tíquete médio. Em janeiro de 2020, o gasto médio dos usuários na plataforma era de R$ 50,51, enquanto em maio o valor das transações girava em torno de R$ 97,20.

Assim como aumentou o uso de serviços de moto delivery, a entrada no segmento por profissionais também cresceu durante a pandemia.

Facilidade de entrada no mercado

Mais uma vez, o contexto geral é uma das justificativas para o incremento no número de motoristas cadastrados em aplicativos e serviços de entrega.

Muitas pessoas perderam suas fontes de renda logo nos primeiros meses da pandemia, o que fez com que esse tipo de serviço surgisse como uma opção prática para os trabalhadores. A facilidade de entrada no segmento é uma das vantagens encontradas pelos profissionais que entram neste mercado.

Para trabalhar com moto delivery, são poucos os requisitos. O profissional precisa ter mais de 21 anos de idade, carteira de habilitação na categoria A por pelo menos 2 anos e curso de 30 horas/aula para moto entrega (que pode ser feito pela internet).

Além disso, os equipamentos de trabalho também são acessíveis. A motocicleta tem venda facilitada em revendedoras, enquanto existem várias opções de baú plástico para moto no mercado, fundamental para realizar as entregas.

Para garantir benefícios trabalhistas, muitos motociclistas estão registrando uma empresa como Microempreendedor Individual (MEI), que também apresentou aumento nos meses da pandemia. Somente entre março e setembro deste ano, foram mais de 985 mil novo registros, de acordo com a CNN Brasil.

Ter um CPNJ não é obrigatório para trabalhar com moto entrega. De fato, com um bom baú para moto, roupas adequadas e a motocicleta, o condutor pode fazer o cadastro em um aplicativo para começar suas primeiras corridas.

O assunto tem sido tão popular que muitos motoboys aproveitaram o momento para compartilhar na internet dicas para otimizar as viagens e ganhar mais dentro do segmento.

Impacto no comércio de motocicletas

Maior demanda pelo serviço de delivery e a entrada de mais profissionais no segmento fez com que as montadoras e revendas de motocicletas também sentissem um impacto no número de vendas.

Em matéria para o Valor Econômico, a montadora japonesa Honda declarou que vendeu mais de 3 mil unidades por dia no mês passado, um crescimento de 7% em comparação com agosto de 2019.

O aumento se repete em outras revendedoras de moto, que em levantamento apresentado pela Fenabrave, entidade que representa as concessionárias do país, aponto o crescimento de 8,29% nas vendas, comparado com o mesmo período do ano passado.

As pesquisas apontam que a tendência do delivery deve continuar por muito tempo, mesmo com a flexibilização do isolamento social. Afinal, muitas pessoas que não conheciam o serviço passaram a utilizá-lo, o que pode representar uma mudança duradoura no comportamento de compra.

Assim, o segmento se mostra fundamental não só para a renda de milhares de famílias brasileiras, mas para manter a economia aquecida – da montadora multinacional de motocicleta ao restaurante de bairro.