O cenário atual gerou mudanças estruturais no setor de turismo, por isso, os viajantes estão cautelosos.

O turismo foi um dos setores mais afetados pelos desafios sanitários deste ano. Como consequência, mudanças estruturais estão sendo implementadas. Afinal, quem dita as tendências é o turista, que, agora, está mais exigente e cauteloso.

As passagens rodoviárias online são um exemplo de como o papel da internet se expandiu nesse período, uma vez que o viajante quer evitar o contato físico o máximo possível. Além disso, fazer compras e reservas on-line traz praticidade ao planejamento.

A seguir, confira cinco tendências para curto e médio prazo no setor do turismo.

1. Turismo doméstico

A Booking.com realizou uma pesquisa com mais de 20 mil viajantes — entre eles, mil brasileiros — para traçar as tendências sobre o futuro das viagens. Uma delas refere-se ao turismo doméstico: 44% dos brasileiros entrevistados pretendem viajar pelo país daqui a 7 ou 12 meses.

Além disso, 55% revelam o desejo de conhecer um novo destino onde moram. Nesse sentido, é possível observar que, com o cenário internacional incerto, as atenções se voltarão ao mercado interno no curto e no médio prazo. As crises sanitárias e econômicas são fatores que explicam o comportamento atual do brasileiro.

2. Viagens conscientes

Segundo a pesquisa, 7 em cada 10 brasileiros pretendem viajar de maneira sustentável no futuro. Ainda é possível que os números subam mais, já que a conscientização ambiental está aumentando neste período.

Desse modo, a busca por destinos ecológicos e com práticas alinhadas aos valores do viajante deve ganhar destaque. Com o amplo acesso à informação, o turista tende a pesquisar como hotéis ou resorts reduzem a pegada ecológica e quais práticas eles adotam em relação à utilização dos recursos naturais.

3. Segurança e limpeza

O turista ainda está receoso. Assim, a preocupação com a segurança e a limpeza dos destinos aumentou. A tendência é que esses tópicos continuem sendo fundamentais no médio prazo. Nesse sentido, os viajantes contam com a adaptação dos hotéis e dos resorts para fornecer um ambiente limpo e seguro.

Além disso, 70% dos brasileiros entrevistados na pesquisa esperam que as atrações turísticas estejam adaptadas de forma a promover o distanciamento social. Outro ponto que chama atenção é que 53% dos entrevistados pretendem evitar o uso do transporte público, diminuindo as chances de contrair o vírus.

4. Digitalização

O conselho global representante dos interesses das empresas de turismo e viagem, WTTC, desenvolveu, junto à consultoria Oliver Wyman, um relatório com quatro tendências para o setor de viagens, e a digitalização é uma delas.

O uso da tecnologia já estava crescendo e se desenvolvendo no turismo, mas a situação atual acelerou esses processos. As plataformas on-line são fontes de inspiração, facilitando o acesso às recomendações e às queixas em relação aos destinos.

Além disso, a tecnologia minimiza as ações físicas, proporcionando maior segurança ao viajante. Dentro desse cenário, também foi possível observar a ascensão do turismo virtual. Afinal, mais de dois mil museus em todo o mundo já estão no ambiente on-line com o auxílio da realidade virtual.

5. Destino em meio à natureza

Com o isolamento social prolongado, o contato com a natureza passou a ser mais valorizado. Não à toa, boa parte das pessoas está em busca de destinos nas montanhas ou no litoral, enquanto as cidades e as metrópoles ficam em segundo plano.

Estar em meio à natureza tem efeito terapêutico, e esse tipo de destino já era bastante disputado. Entretanto, opções alternativas devem crescer para que o turista evite locais superlotados durante a alta temporada.

Nesse sentido, também é possível observar que, mesmo após a crise, os destinos deverão se manter atentos à gestão do fluxo de pessoas para satisfazer os viajantes e proporcionar maior sensação de segurança.