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A verdade que mente

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Alguns afirmam que verdade é o que é real ou o que é possível dentro de um conjunto de valores, o que aponta para uma questão ideológica; para Nietzsche, a verdade é um ponto de vista e, portanto, impossível de ser definida de modo absoluto. Onde buscar a verdade? Na coisa ou no sujeito que apreende a coisa? Nas informações, por si mesmas, ou no significado que lhe atribuímos?

Este ano é eleitoral, ocasião em que a verdade, muitas vezes, é deturpada até o ponto no qual não sabemos mais o que é verdadeiro e o que é falso. Há pontos de vista para todos os lados, gostos e ideologias. E o curioso dessa história é que qualquer um pode mentir, falando a verdade; ou, para sermos mais condescendentes, qualquer um pode falar parcialmente a verdade, falando apenas a parte que interessa, que pode ser a parte mentirosa ou não. Sem mentir, podemos mostrar o que desejamos e esconder o que nos incomoda ou, no caso de optarmos pela parte mentirosa, pela parte com a qual manipularemos a verdade.

A verdade que mente
(“Diga isso de forma mais precisa”. Crédito Unsplash)

Números, por exemplo, podem mostrar qualquer coisa, a depender a forma como os interpretamos. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, certa vez, que a pobreza com o Real caiu de 35% para 28%, só esqueceu de dizer que a queda foi no primeiro ano de seu governo, em 1995, e que após longa estagnação, só voltou a crescer de modo significado no governo Lula, notadamente em seu primeiro mandato. Cardoso disse, também, que o rendimento médio dos trabalhadores em seu governo foi, no pico, de R$1.074,00 e que esse valor é superior aos R$1.041,00 da média atingida nos governos Lula. Contudo, por certo lapso de registro, não pode (ou não quis) mostrar que a média, ao final de seu governo, foi de R$959,00 e que, desde a posse de Lula, a média só fez aumentar.

Já partidários dos governos Lula já disseram, por exemplo, que a verba para a Educação subiu para mais de R$50 bilhões; verdade, mas em termos da proporção do gasto total do orçamento da União (apenas autorizativo e deveria ser determinativo, uma vez aprovado), subiu de 7.3% para 8%. Cresceu, mas nem tanto quanto alardeado.

O parágrafo anterior é apenas um exemplo de como podemos falar a verdade… não dizendo a verdade, ao menos dizendo a verdade incompleta. Uma verdade parcial é um dito complicado, porque temos que admitir a parte verdadeira da afirmativa e desmistificar a parte mentirosa ou, nos casos aqui citados, lembrar ou descobrir as partes da história que foram omitidas, por desinformação ou interesse premeditado. Alguns dos chamados “analistas” dos mercados, vez ou outra teorizam sobre a possibilidade de novas crises na Europa, mais especificamente, em países como Grécia, Portugal e Espanha; dizem que os Estados gastaram demais e que a conta chegou cedo demais; uma conta que o povo, cujas migalhas são, invariavelmente, a prova cabal da indecente concentração de renda e poder de quem gasta para que nós paguemos seu cartão de crédito ou sua hipoteca, paga desde sempre.

A solução, para esses especialistas é, invariavelmente, o corte de gastos públicos, nas áreas sociais (mantendo os gastos financeiros com os juros que, no final das contas, é para seu próprio benefício) para aumentar o equilíbrio fiscal e manter a farra dos endinheirados.

O que não se diz é que o desequilíbrio, não raro, não ocorreu porque houve mais gastos com, por exemplo, Previdência ou Educação, mas porque os Executivos mundiais, sempre dóceis com o grande capital, canalizaram bilhões, trilhões de dólares, euros, reais e outras moedas, para ajudar a banca a não falir. Aí, o que acontece? Como o dinheiro público é alocado para o sistema financeiro, e dinheiro não cresce em árvores, evidentemente começa a faltar para a Previdência, para a Educação… Isto posto, a solução, para que todo esse montante gigantesco possa estar sempre à disposição do capital é, como dito acima, o corte nas áreas sociais aqui mencionadas e em outras. Eis a grande disputa do mundo, desde muito especialmente o pós II Guerra, com a retomada de ideias liberais na economia, só que de modo muito mais concentrador de renda e de poder, conhecida pelo nome de neoliberalismo: a luta pelos fundos públicos, sempre hegemonizados pelos que detém o poder social.

Costuma-se dizer que o importante não é que o governo gaste mais ou menos, mas que mantenha suas finanças equilibradas (para quem e para quê?). Certo. Entretanto, por que o equilíbrio deve ser feito, sempre, segundo as propostas do capital ou de seus porta-vozes (os quais têm o direito de sê-lo, diga-se de passagem – só que podiam assumir essa condição, ao invés de negá-la, sob um discurso “técnico”), em áreas sociais? Por que não se corta, por exemplo, no Brasil, do pagamento de algo como R$200 bilhões anuais de juros? Nossa dívida mobiliária fechará este ano em aproximadamente R$5 trilhões! Isso, pelo visto, não desequilibra as políticas fiscal e tributária, não desestabiliza os investimentos! O que provoca isso, dizem os tais especialistas, é o aumento do salário do funcionalismo, como os médicos e professores das redes públicas, esses marajás cujos exorbitantes salários tanto mal fazem à nação.

A análise dos discursos sociais não pode prescindir da interpretação de certa estética, ética e economia do discurso oculto, por ingenuidade informativa, por falha formativa, por incompetência profissional ou por cretinice de caráter. Sem que tenhamos condições de decodificar o que é dito ou escrito, mas especialmente, do que não é dito ou escrito, simplesmente não avançamos, individual e socialmente e apenas pessoas saudáveis, bem educadas e com uma estrutura de vida digna (cultura, lazer, emprego, habitação, emergia, segurança, alimentar e vital, transporte e compreendendo que o Meio Ambiente deve ser preservado) podem conseguir isso.

Como dizia Darcy Ribeiro, a educação pública ruim não é um acidente, mas um projeto de nação dos que lucram com isso. Subdesenvolvimento político e econômico, ainda mais, de valores humanos, não se improvisa, constrói-se por anos, décadas. Não será fazendo equilíbrio fiscal nas áreas sociais, para pagar juros exorbitantes para banqueiros, grandes empresários e rentistas, que conseguiremos construir um país digno para todos!

Por: Carlos Fernando Galvão, geógrafo, doutor em Ciências Sociais e Pós Doutor em Geografia Humana, [email protected] 

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Descubra como reconhecer a dependência emocional nas relações

Para ajudar você, ou outra pessoa que esteja passando por isso, citaremos tudo sobre como reconhecer a dependência emocional nas relações, e o que fazer para evitar isso.

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Muitas vezes de forma involuntária, a dependência emocional nas relações é algo que ocorre bastante e você pode estar passando por isso.

Dessa forma, é muito comum a seguinte frase: “o que eu vou fazer sem determinada pessoa”? uma vez que sua rotina e você se adaptou a ela.

Ou seja, como o próprio nome já disse, você se torna dependente emocionalmente daquela pessoa, devido à relação que vocês possuem.

No entanto, além da famosa frase, existem algumas outras coisas que podem mostrar a dependência emocional em todas as relações.

E, devido nem sempre temos aquela pessoa no cotidiano, acaba sendo algo que faz mal, onde você precisa reconhecer isso e buscar ajuda.

Portanto, para ajudar você, ou outra pessoa que esteja passando por isso, citaremos tudo sobre como reconhecer a dependência emocional nas relações, e o que fazer para evitar isso.

Como reconhecer a dependência emocional nas relações?

Antes de qualquer coisa, você precisa saber que a dependência emocional não se resume apenas a relações amorosas.

Nesse sentido, diferente do que muitos pensam, você pode ter esse problema de dependência em diversos tipos de casos e relações.

Sendo assim, confira como reconhecer essa dependência totalmente emocional, nas principais relações:

Relacionamentos amorosos

Por mais que ele não seja o único, os relacionamentos amorosos ainda são os principais causadores da dependência emocional.

Dessa forma, você pode perceber essa dependência, quando no relacionamento já não existe mais aquele prazer, ocorrendo:

  • Brigas
  • Xingamentos
  • Discordâncias
  • E dentre outras coisas

No entanto, mesmo com tudo isso, você não consegue largar o relacionamento, com medo principalmente de ficar sozinho.

Ou seja, basicamente, a pessoa se tornou sua rotina, e mesmo com todos os problemas você não consegue acabar com o ciclo amoroso.

Isso também é um dos principais geradores de alcoolismo e depressão, sendo às vezes necessário até mesmo a procura de uma clínica de reabilitação para alcoólatras.

Relações entre parentes

Depois das relações de dependência emocional com parentes, uma outra relação que pode envolver bastante a parte emocional, é entre parentes.

Nesse sentido, isso acontece muito principalmente entre pais e filhos, onde alguns não conseguem aceitar que o filho tenha a sua individualidade.

Desse modo, pode acontecer de ocorrer aquela relação sufocante, onde muitos pais chegam a usar chantagem emocional, para impedir que os seus filhos sigam a vida.

Além disso, você também vai ver que isso ocorre com os filhos, onde muitos, devido a relação parental, não conseguem seguir o próprio rumo.

Sendo assim, mesmo que seja necessário seguir a sua própria vida, ocorre aquele medo de não conseguir viver separados dos pais e dentre outras coisas.

Portanto, se você faz esse tipo de coisa, ou sofre com alguma delas, certamente estamos falando de uma grande dependência emocional.

Amizade

Por fim, mas também uma das dependências emocionais bem presentes, são as amizades.

Atualmente, você pode notar que muito é usado o termo de amizade tóxica, que basicamente são pessoas que podem acabar tirando o seu bem-estar.

Dessa forma, você pode reconhecer a dependência emocional, principalmente em casos de ciúmes extremos, a ponto de o seu amigo (a), não permitir que você tenha outras pessoas em seu ciclo.

No entanto, devido a amizade, principalmente se for de muito tempo, acaba ocorrendo aquele medo de uma conversa.

Ou, até mesmo chegar a terminar o ciclo de amizade com aquela pessoa.

Então, acaba preferindo se magoar, do que tomar uma ação, principalmente com medo de não conseguir adquirir outras amizades.

O que fazer para evitar a dependência emocional?

Infelizmente, essa dependência é algo que de toda forma acaba seguindo grande parte das pessoas.

Dessa forma, acaba sendo algo comum, muitas vezes inevitável, principalmente quando o contato é a muito tempo.

Logo, para essa dependência, o que você pode procurar a ajuda de uma pessoa próxima e confiável, para trazer outro ponto de vista.

Até porque, muitas das vezes, você pode achar que é coisa da sua cabeça, e assim acabar seguindo devido a dependência emocional.

No entanto, muitas das vezes apenas isso pode não ser o suficiente para tratar esse problema, sendo essencial um acompanhamento psicológico.

Além disso, você precisa saber que a dependência causada por emoções pode trazer outros problemas, como alcoolismo, depressão, ansiedade, entre outros.

Assim, caso também for necessário, o ideal é buscar uma clínica de recuperação para dependentes químicos.

Portanto, não leve esse problema como algo normal, uma vez que isso pode acabar com o seu psicológico, tornando sua vida um verdadeiro caos.

O ideal é que você procure sempre algo que lhe deixe saudável, e que vai lhe trazer felicidade.

Considerações finais

Se você queria saber como reconhecer a dependência emocional, certamente esse artigo abriu muito a sua mente.

Então, se você tem casos próximos, ou até mesmo si próprio esteja passando por essa situação, procure ajuda imediatamente.


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