Procurador que chamou Bolsonaro de “canalha” é punido
O procurador Wilson Assis defende os direitos das comunidades tradicionais em audiência pública realizada em Minas Gerais em setembro de 2019. Foto: Christiano Jilvan/Unimontes

O procurador da República Wilson Rocha, do Ministério Público Federal (MPF) em Goiás, foi punido por postagens de crítica ao presidente Jair Bolsonaro no Twitter. A punição é do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

O CNMP seguiu a sugestão do relator Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho. Para o conselheiro, os membros do MP têm “plena liberdade de expressão”, mas também têm mais responsabilidades do que os demais usuários de redes sociais.

Wilson Rocha fez dois tuítes de crítica a Bolsonaro. No primeiro, escreveu: “Bolsonaro é o canalha de quem os canalhas gostam. Como já não há mistério sobre esse politico, seus admiradores são seu espelho e sua força social. Ou seja, são uma geração, independente da idade, de péssimos brasileiros que arruinaram seu próprio país”.

No segundo, dois dias depois, disse: “A indignidade do presidente já é de conhecimento publico. Resta-nos lembrar a indignidade dos que o apoiam, especialmente o alto oficialato das Forças Armadas que compõe esse governo e o séquito Sergio Moro na Lava Jato”.

O procurador se defendeu dizendo que a palavra “canalha” teve “efeito estilístico e retórico”, mas que seu objetivo era passar uma mensagem. Mesmo assim, não escapou da advertência do CNMP. A punição, considerada branda, se dá por ser a primeira vez que Wilson responde a um processo administrativo.