É fato que os carros elétricos deverão dominar o futuro do mercado automobilístico. São muitas as vantagens e investimentos para que esses tipos de automóveis sejam bem-sucedidos.

Para se ter uma ideia, vários países do planeta já aprovaram leis proibindo o uso de carros com motores a combustão na próxima década e na seguinte. Com isso, a perspectiva é que as frotas dos principais países do mundo sejam substituídas por carros elétricos nos próximos anos.

Dentre as vantagens para os consumidores, estão menor gasto com combustível, menos barulho na condução dos automóveis, maior facilidade para utilizar acessórios automotivos compatíveis com os carros, maior capacidade de personalização de um veículo e, claro, menor poluição no planeta.

No entanto, em alguns países, os carros elétricos ainda demorarão para chegar. O Brasil é um deles. No mercado de elétricos brasileiro, o padrão é um volume de vendas de ao redor de 50 ou 60 unidades por mês. Muito pouco para substituir nossa frota de milhões de automóveis.

Por isso, para esses países, é preciso pensar em soluções enquanto os elétricos não ficam baratos o suficiente, além da infraestrutura necessária para utilizá-los não é criada.

A solução, pelo menos no Brasil, tem sido usar o etanol, um combustível menos poluente do que a gasolina ou o diesel, e que vem sendo favorecido pelas principais montadoras do planeta.

O Brasil é o único país que fabrica carros que rodam com o etanol. Agora, as montadoras apostam em medidas que visam ampliar o uso desse combustível no futuro próximo, especialmente enquanto os elétricos não chegam.

Um exemplo disso é a FCA (que é a empresa dona da Fiat e da Jeep), que trabalha atualmente no desenvolvimento de uma tecnologia que permitiria que os motores a etanol sejam mais eficientes que os antigos. Isso porque os motores antigos eram feitos com a base de um motor a gasolina, mas esses seriam desenvolvidos do zero, pensando apenas no etanol.

A FCA, por exemplo, desenvolve o já citado novo motor que visa reduzir muito o consumo do etanol, que hoje é 30% maior do que o da gasolina. Esse motor, que recebeu o nome de E4, deve ficar pronto em até dois anos.

Enquanto isso, a Toyota desenvolveu um Corolla híbrido flex, capaz de usar o etanol para o motor a combustão, enquanto utiliza uma bateria elétrica. Com isso, o veículo fica muito mais econômico que outros concorrentes e menos poluente também. O resultado é um sucesso absoluto: mesmo custando R$ 125 mil, o carro tem uma fila de espera de 3 meses e só não vende mais porque a fábrica da empresa em Indaiatuba, em São Paulo, não consegue dar conta da demanda.

Não são só as empresas que estão desenvolvendo projetos e programas para explorar mais o uso do etanol no Brasil. O governo estabeleceu um plano chamado Rota 2030, que estabelece planos e metas para dinamizar a indústria automobilística brasileira até 2030. A partir de 2022, dentro do programa, novos automóveis deverão ser montados e otimizados para consumir 11% menos combustível que os atuais, diminuindo assim os poluentes emitidos na atmosfera.

Quem não conseguir bater essa meta, terá de pagar multas pesadas, que irão para um fundo governamental focado na modernização do setor automobilístico. Na prática, muitas montadoras deverão focar seus esforços no etanol para poder atingir a meta de 11% menos consumo de combustíveis do que os números atuais.

Quem conseguir o objetivo terá de 1 a 2 pontos de desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de modo a alavancar sua produção no país com mais dinheiro. Em 2012, quando o projeto Inovar-Auto chegou ao fim com uma meta similar, várias empresas bateram a meta, incluindo a Ford e a General Motors (que ganharam 2% de desconto no IPI), além da Audi, Honda, Mercedes-Benz, Nissan, Renault, Toyota e Volkswagen (com 1% de desconto no IPI).

Outro fato que faz do etanol um excelente substituto da gasolina enquanto o carro elétrico não se populariza é o fato do seu ciclo ser altamente renovável. Ou seja, ele pode ser plantado com facilidade, a cana de açúcar cresce rapidamente e pode ser aproveitada para a produção do etanol sem dificuldade.

Tanto a Toyota, quanto a FCA acreditam que serão capazes de atingir as suas metas desenvolvidas pelo programa Rota 2030. Elas lideram o setor de desenvolvimento, mas são seguidas de perto pela Nissan.

A empresa japonesa assinou uma parceria com o Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) da USP para desenvolver uma tecnologia que usa bioetanol em veículos movidos a célula de combustível. A ideia é que a tecnologia permita que um carro tenha a autonomia de incríveis 600 quilômetros com apenas 30 litros de etanol. Ou seja: menos de um tanque padrão de combustível permitiria rodar 600 quilômetros sem emitir nenhum poluente na atmosfera.

Por enquanto, as tecnologias ainda estão em desenvolvimento, mas em breve deverão alcançar sucessos significativos no país.

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