Analise de argumentos de não legalização da maconha

Analise de argumentos de não legalização da maconha

A maconha vem sendo descriminalizada em alguns países, e em outros tem se tornado legal.

Mas isso realmente é uma boa ideia?

Vamos analisar os motivos que as pessoas usam no debate contra a legalização da maconha.

Então vamos ver o três argumentos mais fortes contra a legalização da maconha.

Vamos ao primeiro argumento para a não legalização da maconha.

Maconha é uma droga pesada

Nas últimas décadas a maconha vem sendo geneticamente modificada para se tornar mais potente hoje, a maconha é tão potente que é uma droga pesada e que pode causar psicoses.

O princípio ativo da maconha é o THC e há fortes evidencias de que o THC está relacionado à psicose independente de outros fatores de risco.

Além disso a maconha contém uma substância chamada CBD que parece anular o efeito do THC, esse efeito ainda está sendo testado no tratamento de psicose e ansiedade.

Mas por não ter o efeito digamos que “alucinógeno”, os produtores têm gradualmente diminuído a quantidade de CBD da maconha nas últimas décadas, enquanto aumentam os níveis de THC.

Descobertas recentes sugerem que quanto mais maconha você consome maior é o risco de você desenvolver psicose, mas quão alto é o risco de psicose para a população em geral?

Um estudo britânico descobriu que enquanto o uso de maconha aumentou significativamente entre 1996 e 2005,o número de casos de esquizofrenia, um tipo de psicose, se mantiveram estáveis.

O risco da maconha induzir a esquizofrenia continua a ser o mais alto para pessoas que já têm um alto risco de psicose.

Sendo assim, parece que a maconha aumenta a chance e a velocidade do desenvolvimento dessa condição, ao invés de causa-lo como sabemos agora.

Então o raciocínio é, se menos pessoas tiverem acesso à maconha, menor o risco de pessoas serem induzidas a psicose.

Na realidade, pela maconha ser ilegal mais pessoas vão acabar com psicose, pois a proibição faz com que a droga fique mais forte e mais potente.

Pois assim é possível transportar mais produto em menos espaço e vende-lo com um grande lucro, basicamente foi o que aconteceu durante a proibição do álcool nos Estados Unidos.

Os números mostram que as leis não conseguem impedir as pessoas de usar maconha, nós não podemos fazer a maconha deixar de existir mas podemos torna-la segura.

Se a maconha fosse legalizada haveriam mais opções para consumidores e os fiscalização poderia exigir um nível maior de CBD.

Vamos para o argumento número 2.

Maconha é a porta de entrada para outras drogas

Se fosse legalizada haveria um pico de uso de muitas outras drogas perigosas. Um estudo de 2015 descobriu que cerca de 45% dos usuários de maconha experimentou alguma outra droga ilegal.

Alguém pode dizer que em algum momento legalizar a maconha poderia reforçar essa tendência entre os mais jovens.

Pois bem, usando maconha legalizada eles podem acabar experimentado drogas mais pesadas, mas acontece que a verdadeira porta de entrada para o uso de drogas vem de cigarros, que são muito mais antigos.

Um estudo mostrou que os adolescentes que começaram a fumar antes dos 15 anos tinham 80% mais chances de usar drogas ilegais do que aqueles que não fumavam.

Outro estudo de 2007 descobriu que adolescentes entre 12 e 17 anos que fumavam tinham três vezes mais chances de beber compulsivamente, sete vezes mais chances de ter usado drogas como heroína ou cocaína e também sete vezes mais propensos a recorrer à maconha.

Mas se for esse o caso, como tornar mais drogas legais poderia impedir o uso de drogas pesadas?

Primeiramente é importante reconhecer que as pessoas não usam drogas porque são legais ou não, ate por que se você quiser comprar alguma droga, sempre encontrará alguém feliz em vender.

Então qual a verdadeira motivo para as pessoas desenvolvem um relacionamento doentio com as drogas?

Estudos mostram que certas condições tornam as pessoas vulneráveis ​​a drogas e dependência, como por exemplo, um trauma precoce na infância, condição social, depressão e até mesmo fatores genéticos.

Os viciados tomam drogas para escapar de seus problemas, mas as drogas não resolvem nenhum desses problemas e, em vez disso, consegui-se um novo problema.

Mas punir as pessoas por seus mecanismos de enfrentamento não tão saudáveis também não muda nada sobre as causas subjacentes.

Então, alguns argumentam que precisamos tomar um caminho completamente diferente.

Em 2001 Portugal teve um dos piores problemas de drogas na Europa. Os portugueses então, desesperados tentaram algo radical.

Quem fosse pego com, ou usando todas as drogas ilegais não seria mais preso em vez disso, as autoridades lançaram uma grande campanha de saúde, as pessoas que foram encontradas com uma pequena quantidade foram encaminhadas para serviços de apoio e receberam ajuda e tratamento.

O uso de drogas foi visto como uma doença crônica não um crime, os resultados foram impressionantes, o número de pessoas que experimentaram drogas e continuaram a usá-las caiu de 44% para 28% em 2012.

Com isso o uso de drogas pesadas diminuiu, assim como infecções por HIV e hepatite e overdoses. Tornar as drogas legais pode ajudar a sociedade em geral muito mais do que prejudicar.

A maconha é viciante e prejudicial

Precisa permanecer ilegal para manter o dano no mínimo, embora o vício da maconha seja mais psicológico do que físico ainda é um problema real.

A demanda por tratamento para o vício da maconha mais do que dobrou na última década, cerca de 10% das pessoas que experimentam maconha se tornarão dependentes, isso também está relacionado a níveis mais altos de THC.

Estudo divulgado em 2017 acompanhou a potência da maconha e de cafeterias holandesas ao longo de um período de 16 anos, para cada aumento de 1% no THC, mais 60 pessoas entram em tratamento em todo o país.

Em termos de efeitos negativos para a saúde, alguns estudos relacionaram o uso de maconha ao aumento da pressão arterial e problemas pulmonares, enquanto um estudo de 2016 descobriu que o uso de maconha não era relacionado a problemas de saúde física, exceto por um risco maior de doença de gengiva.

Alguns estudos mostraram que o uso de maconha altera os cérebros dos adolescentes e diminui sua inteligência, mas quando estudos mais recentes levaram em conta a bebida e o tabagismo, os resultados foram inconclusivos.

Pesquisas gerais mostram que tomar drogas enquanto o cérebro ainda está em desenvolvimento é ruim, mas a verdade é que ainda não sabemos quão causadora de doenças a maconha pode ser, precisamos de mais financiamento para pesquisas o que é difícil de conseguir enquanto a maconha continua ilegal.

Então podemos colocar o que sabemos em perspectiva. 16% das pessoas que consomem álcool se tornam alcoólatras e 32% das pessoas que experimentam cigarros se tornam fumantes.

Sabemos com certeza que o álcool afeta seu cérebro, destrói seu fígado e causa câncer, enquanto o tabaco obstrui suas artérias, destrói seus pulmões e também causa câncer, 3,3 milhões de pessoas morrem de abuso de álcool a cada ano, enquanto o tabagismo mata mais de 6 milhões de pessoas.

Leia com atenção o texto pois ninguém aqui está sugerindo que o tabaco e o álcool são inofensivos só porque são legais, muito menos está propondo seriamente proibi-los, mesmo sendo extremamente perigosos.

A legalidade é uma maneira de exercer algum controle, especialmente quando se trata de proteger os jovens, muitas vezes é muito mais difícil comprar drogas legais para adolescentes do que comprar drogas ilegais.

Os comerciantes podem receber multas pesadas e perder sua licença se venderem para crianças menores de idade, a legalidade cria incentivos aqui que os traficantes não podem explorar.

Então, tornar legal a maconha não significa endossá-la, significa assumir a responsabilidade pelos riscos que ela representa, alem de abrir portas para novas pesquisas que nos mostrarão o quão prejudicial ela realmente é.

Concluindo, a maconha é uma droga e, assim como qualquer outra droga, tem consequências negativas para uma parcela considerável das pessoas que a usam.

Maconha não é inofensivo, mas a melhor maneira de proteger a sociedade de suas consequências negativas parece ser a legalização e a regulamentação.

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